domingo, 19 de novembro de 2017

Opinião: O Sétimo Selo (José Rodrigues dos Santos)


Já tinha dado a minha opinião sobre um livro deste autor, que podem ver aqui. Gostei muito mais do Sétimo Selo do que da Ilha das Trevas. Vê-se bem que ele  cresceu enquanto autor, com uma escrita fluída e menos "um relato jornalístico".

Neste livro, Tomás investiga a morte de dois cientistas que estudavam as alterações climáticas. Entre a investigação do crime, são abordados vários fatos referentes às alterações climáticas e as suas consequências, bem como a crise energética que pode resultar do fim da exploração do petróleo.

Considero que este livro deveria ser lido por todos, pois  aborda um tema em que todos precisamos de pensar. 

domingo, 12 de novembro de 2017

Opinião: Uma Rapariga dos Anos 20 (Sophie Kinsella)


Como já referi aqui, adoro os livros da Sophie Kinsella. São sempre muito engraçados e com personagens inteligentes excêntricas. 

Neste livro a protagonista Lara tem a vida completamente baralhada. Acabou há pouco tempo uma relação, a empresa onde é sócia não está muito bem, não tem uma relação muito boa com os pais e como se tudo não bastasse ainda tem um tio muito rico que acaba por esfregar-lhe na cara que conseguiu fazer sucesso começando apenas com duas moedas.
No funeral de uma tia-avó que não conhecia aparece-lhe o fantasma dessa tia-avó. Apesar de ter falecido com mais de cem anos, ela aparece como ela se via: uma rapariga na casa dos 20 anos que viveu nos anos 20.

Achei a história muito divertida e aconselho a quem quiser uma história leve e divertida.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Um pequeno gigante

Sentia saudade. Saudade dos alegres tempos passados. Da minha amada que partiu, do meu filho e netos que estão longe.

Nos velhos tempos sentia que tinha um mundo sobre as minhas costas. Tinha a minha família para cuidar e trabalhava imenso a fazer peças de artesanato. Os turistas compravam tudo aquilo que eu fazia. Então eu fazia centenas, não milhares, de peças por semana. Garantia que havia sempre comida em casa e o meu filho conseguiu estudar.

Os turistas ainda compram tudo o que faço. A vontade e a necessidade de trabalhar é que são menores. Um dia, de manhã, mais por capricho de um velho do que por necessidade de vender, resolvi fazer uma coisa diferente: um pequeno mundo sobre uma pequena mão.

Após acabar a peça, coloquei-a numa prateleira e abri a loja. Estava um lindo dia de Sol. Os turistas entravam e saiam. Alguns iam apressados, outros demoravam algum tempo. Alguns não compravam nada, outros compravam imensas peças. Alguns eram simpáticos, outros ignoravam-me por completo e ainda havia quem me olhasse com desprezo, como se o que compram não fosse algo nascido do meu trabalho e da minha criatividade. No fundo, da minha história.

Ao fim de um dia que parecia ser igual a tantos outros, quando estava a preparar-me para fechar a loja, entrou uma jovem. Vestia roupa de praia e aparentava ser só mais uma universitária a aproveitar as férias.

- Boa tarde – cumprimentou a rapariga.

Reparei no seu aspeto. Bastante parecida com a minha amada quando a conheci. Tinha a mesma vivacidade capaz de encher qualquer espaço com alegria.

A rapariga, sempre a sorrir observou todas as peças que tinha a loja. Surpreendi-me quando ela pegou na peça que tinha feito nessa manhã, pergunta-me:

- Qual é a história desta mão?

- História? É só uma peça... Não tem história nenhuma – respondo.

- Tudo tem uma história. Nem que seja a forma como a fez.

Fiquei surpreendido por a jovem reconhecer meu trabalho, então resolvi inventar uma pequena história, como as que contava ao meu filho quando era pequeno.

- Num local muito distante, um gigante vivia sozinho. Todos os dias chorava por se sentir só. Embora estivesse sempre à procura de outros gigantes, não tinha esperança de algum dia encontrar alguém. Apesar de ser um gigante, sentia-se pequeno. Um dia, ao limpar as lagrimas, reparou que tinha algo na palma da mão, era um pequeno mundo que vivia sobre ele. Um mundo que necessitava dele para existir.

- O que aconteceu ao gigante? – perguntou a jovem com uma curiosidade demasiado infantil para a sua idade.

- O gigante continuou sem encontrar nenhum outro gigante. Mas sempre que chorava, lembrava-se que tinha um pequeno mundo que precisavam dele – respondi.

- É uma excelente história – a rapariga exibiu o seu fantástico sorriso. – Quanto custa a peça?

- Nada. É um presente para si. Desde que prometa contar esta história a quem lhe perguntar a origem desta peça.

- Muito obrigada. Prometo! – A expressão da rapariga convenceu-me que deve existir milhares de pessoas a querer saber uma história destas.

Nessa noite chorei. Depois sorri, ao lembrar-me de uma jovem, que me fez lembrar que sou importante neste mundo.

domingo, 5 de novembro de 2017

Um pouco de escrita

Como gosto muito de escrever, mas foram poucas as pessoas que leram os meus textos, resolvi começar a publicar alguns aqui no blog
Assim, de vez em quando, para além dos meus comentários relacionados com o mundo literário, de vez em quando vou publicar um texto original. 

Espero que gostem.

Opinião: A Metamorfose (Franz Kafka)


Acho que nunca li nenhum livro tão estranho.

Gregor Samsa um dia acorda transformado num inseto, com a sua metamorfose podemos refletir sobre diversos temas sobre a forma como vivemos, com críticas sociais ainda bastante atuais (a primeira edição é de 1915) mostrando como o ser humano pouco mudou ao longo de um século.

Foi para mim um pouco difícil interpretar algumas partes, mas no geral gostei da crítica de Kafka.

É um livro curto que todos devem ler,  nem que seja  para refletir na sua mensagem.

domingo, 29 de outubro de 2017

Opinião: Maigret tem medo (Georges Simenon)


Sabem aqueles livrinhos pequenos que se vendem  em feiras do livro e noutras promoções, que muitas vezes são desprezados, mas podem ter histórias tão boas como qualquer best-seller?

Maigret tem medo é um desses livros. É pequeno e lê-se  num instante. Relata-nos um crime que foi cometido numa pequena cidade onde todos se conhecem e Maigret (o detetive) não tem muita vontade de investigar, mas acaba por conseguir resolve-lo (isto não é um spoiler).

O título não me pareceu muito de acordo com o enredo. Dá ideia que o detetive vai encontrar muitos perigos e ficar com medo, mas não acontece nada. Acho que ele estava mais com medo do que a investigação revelaria do que do criminoso.

O crime e a sua resolução não foi espetacular nem surpreendente, mas foi bem construído e fez todo o sentido.

Um livro engraçado para quem gosta de livros pequeno e de crime.

sábado, 21 de outubro de 2017

Opinião: Cândido ou o Optimismo (Voltaire)



Este é o livro mais antigo que já li. Foi editado em 1759 e aborda satiriza a época em que foi escrito.

Apesar de gostar de história e filosofia, não percebo muito e acabei por vezes por me sentir um pouco perdida. As notas rodapé ajudam um pouco, mas acho que para quem entende mais sobre a história do século XVIII o livro deve ser melhor.

O Cândido é tão optimista que consegue ver o lado bom das maiores desgraças. Ao longo da sua viagem inúmeras desgraças acontecem na sua vida, mas ele nunca perde o optimismo. 

Dentro dos infortúnios que o Cândido foi exposto o que mais me disse alguma coisa foi a referência ao sismo de 1755, que destruiu boa parte de Lisboa. Não estava à espera de encontrar uma referência a Portugal.

Cândido ou o Optimismo não é o meu género de livros, mas gostei de ler, nem que seja para variar um pouco a leitura.